O pintor, ilustrador e cenógrafo ouro-finense Álvaro Apocalypse
Álvaro Brandão Apocalypse (14.01.1937 - 06.09.2003) foi um pintor, ilustrador e cenógrafo ouro-finense.
Filho de Waldomiro Apocalypse e Teresa Brandão Apocalypse, iniciou seus estudos em sua terra natal, onde teve uma infância fantasiosa e rica em seres fantásticos que, mais tarde, foram transferidos para desenhos, pinturas e bonecos do Giramundo, vindo a concluir o segundo grau em Belo Horizonte. Depois de receber menção honrosa no 10.o Salão Municipal de Belas Artes da Prefeitura de Belo Horizonte, conheceu um grupo de artistas, alunos do pintor Alberto Veiga Guinarde. Em 1956 entrou para a Escola Guinard e para a Escola de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais.
O aprendizado do desenho com lápis duro, sem possibilidade de correção, levou Álvaro Apocalypse a herdar o rigor técnico do mestre Guinard. Depois de vários prêmios, trabalhou na imprensa como ilustrador. Em 1959, aos 22 anos, a convite de Jefferson Lodi, começou a lecionar na Escola de Belas Artes, então vinculada à Faculdade de Arquitetura da UFMG, onde foi professor de modelo vivo. Em 1962 casou-se com a artista plástica Tereza Veloso e se transferiu para Lagoa Santa. Álvaro explorou diversas técnicas: desenho, pintura, pastel e nanquim. Desenvolveu vasta pesquisa sobre manipulação e criação de bonecos, atividade que o tornou conhecido. Em 1969, após produzir seu primeiro mural de grandes proporções, recebe o Prêmio da Aliança Francesa, que o leva à Paris para estudos da arte na Escola do Louvre. Em 1970, depois de voltar de temporada de estudos na França, dedicou-se ao projeto que sintetizaria a sua expressão artística: o grupo Giramundo Teatro de Bonecos. Em 1972, O Conselho de Extensão da UFMG organizou uma retrospectiva-documentação de sua obra.
Ao lado da esposa e da artista plástica Madu, transformou o Giramundo em um dos grupos de teatro de bonecos mais importante do país. Entre as montagens da companhia estão A Bela Adormecida, Cobra Norato (1979), O Guarani (1986 a 1996), O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (2000). Entre suas premiações figuram o Moliére, Troféu Mambembe, dois troféus João Ceschiatti e o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte. Publicou o álbum de gravuras Minas de Guimarães Rosa, em 1977, pela Imprensa da UFMG, dentre outros. Alvaro Apocalypse faleceu em 2003, aos 66 anos, em Belo Horizonte, sendo patrono da cadeira 28 da A Academia Ourofinense de Letras.
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